terça-feira, 17 de março de 2009

Quanto mais me bates,mais gosto de ti...

Conheci uma rapariga, que era toda cheia de confiança, bastante independente, viajava quando e com quem queria. Mesmo na casa dos 30, dizia que filhos eram os gatos que adorava.E que jamais teria filhos.
Sempre cheia de teorias quanto ao vegetarianismo, que praticava há mais de 10 anos.
E completamente contra qualquer das religiões existentes.
Fomos amigas durante uns anos, até posso dizer que bastante amigas. Era uma pessoa que eu gostava bastante. Gostava da sua essência. E admirava o seu estilo de vida.
Mas um belo dia, conheceu um rapaz através de um chat. Quem o via, dizia que ele não partia um prato.
Dias depois já estavam a viver juntos. Tudo muito apressado, avisei-lhe eu. Ela maior e vacinada, dizia saber bem o que estava a fazer.
Não sei que raio o rapaz tinha, eu achava-o giro, mas pouco mais, tinha um ar um pouco enfemeninado, mas parecia uma pessoa educada e amigo da namorada.
Qual não é o meu espanto quando a M. me diz que está grávida, passados uns 2 meses de viverem juntos. E estava feliz, dizia que queria muito o filho. A minha alma estava parva. Tantas conversas tinhamos tido sobre o tema "Filhos", como o seu pensamento da altura me fazia confusão e agora de repente estava grávida.
Infelizmente sofreu um aborto espôntaneo. Pensei que ficasse tudo por ali, e que ela pensasse melhor no que era ter um filho, com um rapaz que vivia junto havia dois meses.
Nova notícia de gravidez, novo espanto para mim...
Se éramos próximas, mais ficámos, até porque eu também estava grávida de cerca do mesmo tempo e até que era giro partilharmos as vivências do dia-a-dia.
Quando a D. nasceu, fui das primeiras a saber, no dia seguinte lá estava eu com um barrigão de 9 meses, com a recém-nascida nos braços e a apoiar a minha amiga que estava a transbordar de felicidade.
Depois do nascimento da minha filha, as visitas a casa de uma e de outra eram uma constante.
Tornámo-nos confidentes.
Começou a contar-me quem verdadeiramente ela tinha como companheiro. Pois chega a um ponto que uma pessoa não aguenta mais.
Ela desconfiou novamente que estava grávida. Os dois sem trabalhar, com uma filha pequena, em risco de perder a casa. Aconselhei-a a não ter o bebé, pois não tinha condições.
Assim que contou ao namorado, ele disse logo que não queria que fizesse um aborto.
Durante a gravidez, desde pescoços apertados, a tareias em frente à filha pequena, queixas na polícia...
Ele saía de casa uma semana, depois estava de regresso. Logo cheio de muito amor para dar.
Ele claro, odiava-me, pois sabia que eu fazia qualquer coisa pela minha amiga.
E fiz. Trouxe-a para minha casa. Com a filha. Dei-lhes de comer. Tentei arranjar um rumo para a vida delas.
Ele ligava-lhe a toda a hora. Até chegou a insinuar que ela estava na minha casa porque andava enrolada com o meu marido...
Ela pedi-me ajuda. E eu nunca virei as costas. Dei-lhe o que tinha e o que não tinha.
E o que aconteceu? Ela voltou para ele. Ele conseguiu metê-la contra mim. Deixámos de ser amigas. Não cheguei a conhecer o filho dela.
Hoje sei que estão até casados! E que até ela já é Jeová, como toda a familia dele. Está "presa" em casa, mãe a tempo inteiro. Ele conseguiu afastá-la de tudo e todos.
Fingem um sorriso. Como se fossem o casal mais feliz do mundo.
Mas para mim é só fachada...
Quem dá uma chapada, um aperto no pescoço, ou bate numa grávida só porque sim, mudará de um dia para o outro?
E que fazer a quem não quer ser ajudado? Fugindo da luz ao fundo do túnel?
Era mesmo a vida que um dia querias?...
...É que por mais que tente, juro que não entendo...
Eu até sei que o amor por vezes é cego. Mas para quem dizia que já nem o sequer amava, era mais o medo...
O que mais me choca, é que ela não era uma parvinha qualquer que nada sabia da vida...
Hoje lembrei-me dela, porque é uma pessoa que me marcou muito. Que cortei relações, mas tenho pena por isso. Ela mandou-me à cara que eu não a ajudei. Foi mesmo mal-agradecida. Não sei que mais poderia ter feito...mas enfim...

12 comentários:

  1. Nem todas as pessoas teriam feito o que fizeste.Mostras-te que amigas como tu ha muito poucas. Nao tens que perguntar se haveria algo mais que poderias ter feito. Foste amiga dela e da filha, se ela nao sabe reconhcer so mostra ingratidao. Ha pessoas que sao manipulaveis facilmente e parece-me que foi esse o caso dela e mais tarde aliado ao medo.
    Infelizmente ela escolheu o pior caminho e lamento que tenham terminado a vossa amizade.
    Beijinho.

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  2. a lágrima veio ao canto do olho,porque tenho alguem k me é proximo numa situação parecida...
    sabes,não vale a pena ajudá-los,eles é k teem de ter força de vontade para sair dessa situação,eu depois de tantos anos já cheguei a essa conclusão...a gente ajuda quando não estão com os homens,mas quando voltam para eles,é só sorrisos como se nada fosse...
    Sò lamento o futuro dessas crianças,que teem de ser mt mt bem encaminhadas,e para isso uma boa estrutura familiar...
    è mt frustrante e dá pena,pois conhecemos as pessoas,fazemos tudo por elas,e depois é isto...
    Bola prá frente!!!

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  3. Essa história é terrível. E existem tantas assim... às vezes, em pequena escala até.
    E é tão complicado. Fizeste o que podias. Foste até onde ias. Parabéns por isso.

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  4. vou te dizer uma coisa, que se calhar te vai chocar... se ela fez isso é porque gosta, ponto final... nada vale como pessoa.

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  5. Foste um boa amiga sem duvida! Ela é que não foi! Não soube aproveitar...

    O Ser Humano tem atitudes que não dão para explicar! Fizeste a tua parte...

    Beijinho

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  6. Olá! Cheguei aqui já nem sei como e hoje resolvi mesmo comentar, principalmente, por causa do comentário em cima. Conheço duas pessoas que são vítimas de violência. Uma há mais de 30 anos. Na conheço a VM, mas acho que ela está a falar baseada única e exclusivamente no senso comum. Infelizmente, essas pessoas são extremamente vulneráveis. O agressor consegue fazê-las crer que não valem nada. São mulheres sem um pingo de auto-estima, assustadas e sobretudo, no fundo, acham que merecem tudo o que lhes acontece, nomeadamente a violência verbal e física. Pois bem, a senhora que conheço que leva porrada e maus tratos verbais do marido nem mesmo com terapia conseguiu ainda pedir o divórcio. Apesar de praticamente não ter vida em comum com o sr e de já ter saído de casa várias vezes, acha sempre que não é capaz.
    Uma amiga minha foi vítima do namorado durante 8 anos, um homem extremamente possessivo e ciumento. Ela tornou-se submissa e apagada. Qd a conheci, ainda não tinha 30 anos, mas aparentava 40. Um erro comum nessas mulheres é pensarem que podem mudar o agressor, até pq mtos deles garantem q as adoram e q vão mudar. É um erro, claro. As pessoas podem mudar, sim, mas com as ajudas certas e com vontade... de qualquer forma, é um processo lento.

    Em relação à tua amiga, fizeste o máximo q podias fazer e, como disseram em comentários anteriores, nem toda a gente faria o que fizeste. De qualquer forma, o primeiro passo tem de ser dela. Ela tem de querer ser ajudada e de perceber que está a ser usada e manipulada. Acredita que, por esta altura, ela já nem se lembra que um dia foi independente e que pode perfeitamente viver sozinho. Sim, outro dos truqes psicológicos do agressor é fazer crer que a vítima não irá conseguir sobreviver sem ele. No fundo, estas mulheres têm um medo brutal de se aventurarem numa nova realidade. Podem ter consciência de que têm uma vida péssima, mas pelo menos já sabem com o que contam e sabem que conseguem sobreviver... já com o desconhecido não sabem como lidar.

    A tua amiga deixou de falar contigo não porque seja ingrata, mas provavelmente pq foi obrigada e está assustada. Se mais algum dia precisar de ti, diz-lhe q há instituições q ajudam mulheres com ela, q lhe arranjam tecto para ela e para os filhos e até a ajudam a arranjar emprego. E diz-lhe tb que a ajuda psicológica nestes casos é imprescindível.

    Resta dizer que sei algumas destas coisas pq fiz parte de um grupo de terapia onde duas pessoas eram vítimas de violência doméstica (as mesmas que referi anteriormente).

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  7. Amiga esses casos , a maior parte das vezes são irreverssíciveis...não entendo estas mulheres...não entendo como se deixam arrastar por situações assim, sem dar o grito "basta"...Sabes esse dito cujo é uma autêntia besta, desculpa a expressão, mas faz-me confusão uma mulher independente se ter tornado assim...afinal issoera para as nossas avós...e mesmo assim, não sei. Admiro-te...fizeste tudo o que estava ao teu alcance...mais seria impossível...ter-te como amiga foi o que de melhor ela teve e desperdiçou...a amizade verdadeira cultiva-se e alimenta-se...e não se dá machadada. jinhos amiga e tenho a certeza que a tua amga já deve estar mil e uma vezes arrependida de tal acção...mereces tudo de bom.

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  8. infelizmente e devido à minha profissão, tenho conhecimento de muitos casos desses.Fizeste o que podias, mas eles tem um código qualquer entre eles, que ninguém consegue quebrar, e aqueles que tentam ajudar parece que se tornam os maus da fita...mais uma vez digo, fizeste o que podias..a mais não eras obrigada nem conseguias...

    mas é sempre triste um caso desses...


    um beijo

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  9. não a ajudaste?
    nem sei o que faltou tu fazeres, mas é.

    beijos.

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  10. loira: é o VM, não a VM... depois concordo com a kris, tenta-se ajudar as pessoas e elas são ingratas, preferem continuar como estão do que mudar, peço desculpa mas pessoas assim nada valem, são manipuláveis e ainda cospem que lhes estendeu um prato, um carinho, um abraço.

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  11. Foi nobre a tua atitude, não era qualquer pessoa que faria isso. Aqui registo a minha admiração por isso que fizeste.
    Quanto à situação, é bastante triste, mas acredita que há muitos casos assim. Relações entre pessoas fracas e pessoas "fracas"...
    Beijinhos

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  12. ola!
    sabes às vezes nao é uma questao de nao darmos ajuda.. é uma questao das pessoas nao quererem ser ajudadas..
    é pena que ela tenha terminado assim!

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Obrigada pela visita e comentário.
Fica uma beijoca!